domingo, 19 de julho de 2009


"Era só fome o que eu sentia, fome. Uma fome horrível, que poderia chamar de carência, necessidade, impotência, frustação, vazio, a qual me obcecava, roendo-me, e que logo iria me engolir.
Era ela que arruinava meus dias, que corrompia minhas noites, mantendo-me acordada por longas horas e malditas horas, longas horas de tortura, nas quais eu poderia encontrar algum alento, mas que descoloriam o amanhecer e o céu, que contaminavam as músicas mais alegres, transformando as melodias para dançar em marchas fúnebres, filmes cômicos em tragédias gregas, natureza em deserto e meus sonhos em pó.
Era como uma febre, uma bad trip, uma crise de abstinência, essa fome impossível de ser saciada que me possuía.
Eu detestava minha vida."

"- Quero trabalhar no cinema?
- No cinema... Porque? Pra ficar rica, famosa, pra que amem você?
- Não.
- Por quê?
- Pra mudar de vida. A cada papel. Mudar de pele. Mudar de passado. Mudar de nome. Mudar de história. Mudar de rosto. Eu detestei minha vida, quero experimentar outras."

Lolita Pille, em Bubblegum.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

para ler ouvindo: Los Hermanos - Eu Vou Tirar Você Desse Lugar

Sou tão feliz quanto uma puta.
Sinto orgulho da minha vida como uma puta.
Porque todos temos sonhos, todos queremos sucesso e ser alguém reconhecido por sermos simplesmente nós.

Vivo como uma puta.
Sempre esperando o próximo cliente. Deixarei ele tirar tudo o que resta de mim, fazer o que quiser de mim, pois afinal, é para isso que sirvo: nada mais do que algumas poucas horas.

Minha felicidade não dura mais do que poucas horas.
A gente vive sabendo como quer viver, cresce sabendo e quando chega o momento de conquistarmos tal sonho, tudo acaba. Mas já somos crescidos, já sofremos antes e continuamos sofrendo sem parar nenhum segundo se quer e quando tudo desmoronou, nada mais importa.

Você tem trinta anos e mora com os pais.
Você não tem pais, esses aí são como dinheiro vivo e garantem uma moradia e roupas. Você quer aprender a viver sozinho, ter uma casa e uma vida, mas como?

COMO?!
Como arrumar coragem se tudo que quer pode ser pedido? Como ter coragem se o mundo está lotado de perigos? O que resta é esperar. Ir levando, ir bebendo, ir fumando, ir tentando entender, afinal

PORQUE NÃO PODEMOS VIVER SÓ DE
AMOR?


movimento hippie mode on.
vida woodstock mode off.


quinta-feira, 18 de junho de 2009



Faz tanto tempo que não escrevo que já não sei como começar um texto. As histórias ainda fluem, cada dia tenho uma nova, mas para passar para o papel é um sacrifício - não vai, não flui, não anda. Só fica lá esperando, mas ainda não sei pelo que.

Estou perdendo minha cabeça, estou perdendo tudo que fui um dia e parece que isso é tão normal - crescer, amadurecer- , mas está me fazendo um mal inexplicavel. Eu saio, eu como e até dou risada ás vezes, mas só saio acompanhada, como por não ter o que fazer e dou risada de desespero. Elas devem pensar que estou melhor já que aparentemente, estou. Eles já perceberam a diferença, mas nada podem fazer e é aqui tá o problema: não há pessoa no mundo que me fará sentir melhor por mais de um mês. Não há presente e nem mesmo palavras para tal fato acontecer, e sendo assim, eu sinto um ódio incrível por mim.